sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Espetáculo Memorial do Convento, em Belém, incorpora elementos amazônicos

Espetáculo Memorial do Convento, em Belém, incorpora elementos amazônicos


A Igreja de Santo Alexandre e o Palácio Episcopal (antigo Colégio de Santo Alexandre), que abrigam o Museu de Arte Sacra, no Complexo Feliz Lusitânia, serão o palco da encenação do Memorial do Convento, do escritor português José Saramago, nos dias 3 e 4 de outubro, às 19h. O teatro/musical conta a história da construção do Convento de Mafra, em Portugal, pelo rei D. João V. Essa é a primeira vez que o Memorial do Convento será encenado no Brasil.
As apresentações integram a programação de lançamento dos livros Da Estátua à Pedra e Discursos de Estocolmo e Democracia e Universidade, inéditos no Brasil, de José Saramago, Prêmio Nobel de Literatura em 1998. Os livros são uma coedição da Editora da UFPA, com a Fundação José Saramago e foram lançados no dia 30 de agosto, em Belém, em sessão que contou com a presença da jornalista Pilar del Río Saramago, viúva do escritor e presidenta da Fundação.
O evento é uma realização da Universidade Federal do Pará, por meio da Editora da UFPA (ed.ufpa), do Instituto de Ciências da Arte (ICA), da Escola de Teatro e Dança e da Escola de Música da UFPA (ETDUFPA), em parceria com a Fundação José Saramago. A concepção e a direção do espetáculo são de Vera Barbosa.
A encenação do Memorial do Convento no complexo Feliz Lusitânia toma como referência a montagem dirigida pela atriz Vera Barbosa, em Lisboa, na própria Fundação José Saramago, em novembro de 2012. Na encenação em Belém, a montagem traz componentes artísticos adicionais, exigindo um elenco bem mais numeroso. Serão mais de 50 artistas na apresentação, incluindo atores, músicos e figurantes.
O espetáculo ocupará toda a fachada da Igreja de Santo Alexandre, a calçada e algumas janelas do Palácio Episcopal. Participam do elenco os atores portugueses Cláudia Faria (Blimunda), Sérgio de Moura (Baltasar) e João Brás (Padre Bartolomeu), do grupo ÉTER - Produção Cultural, que encena o Memorial do Convento desde 2008, no Palácio Nacional de Mafra, em Portugal. Os artistas locais incluem alunos e professores da Escola de Teatro e Dança da UFPA e músicos da Orquestra de Violoncelistas da Amazônia, sob a regência do professor Áureo de Freitas. O espetáculo também contará com vozes da Schola Gregoriana “Ad te levavi”, um projeto de extensão da Escola de Música da UFPA, com arranjo e regência do professor André Gaby, coordenador do Projeto.
A montagem local também incorpora elementos da cultura amazônica no figurino, assinado pela professora Ézia Neves, e nos adereços cenográficos (como o miriti empregado na passarola do padre Bartolomeu de Gusmão), produzidos pelo professor Bruce Macedo, ambos da Escola de Teatro e Dança da UFPA. O resultado é um espetáculo que integra harmonicamente a obra literária portuguesa e componentes cênicos que remetem à cultura paraense.
Figurino com toque regional -Concebido pela professora Ézia Neves e executado por Telma Lima e Nei Braga, o figurino traz vestes com barras e mangas feitas de varandas de redes, como se fossem uma estampa ou textura. O tecido da rede foi empregado nas calças, saias e capas de Blimunda e Baltasar, conferindo um aspecto de rusticidade, para acentuar ainda mais a sua condição de pertencimento à população mais simples. Pinturas marajoara/tapajônica extraídas de desenhos de cuias foram serigrafadas em barras de calças, punhos e saias das pessoas do povo que acompanharão a procissão. Colares e pulseiras serão de sementes de açaí. Dessa forma, explica a professora Ézia, “o aspecto regional foi contemplado sem que se perdesse a silhueta e a visualidade do século XVIII, momento em que ocorre a ação”.
Adereços de miriti - Usando o miriti como matéria-prima, o professor Bruce Macedo foi o responsável pela confecção dos adereços cênicos para o Memorial. Destacam-se nos itens produzidos pelo professor Bruce a passarola e uma cruz de quatro metros de altura. A passarola será interpretada pela atriz paraense Dayane  Ferreira, usando uma estrutura inteiramente de miriti, adaptada de um desenho feito pelo próprio José Saramago. Capaz de voar, o objeto central da história é uma invenção do padre Bartolomeu de Gusmão e define o destino das principais personagens da trama.
A cruz aparecerá na cena em que uma procissão se dirige da Catedral da Sé à Igreja de Santo Alexandre, ao som do Coral Gregoriano. Homens comuns, mulheres doentes, frades, crianças vestidas de anjo, inquisidores e condenados, personagens diversas que remetem às manifestações de fé exacerbada e perseguição religiosa na Portugal do século XVIII, descritas por Saramago no Memorial.
A elaboração dos adereços com miriti é uma experiência que vem de longa data para o professor Bruce. Nascido em Santarém, no interior do Estado, desde a infância passava longas estadas na fazenda, já visualizando a possibilidade de construir objetos com o que a natureza lhe oferecia. Trocava os brinquedos usuais pelo barro branco encontrado no fundo do quintal. Ao assistir a uma peça em que eram utilizados brinquedos de miriti, teve a ideia de estender o uso desse material para além do alegórico, utilizando-o na construção cenográfica e nas artes plásticas. Esse trabalho já dura 16 anos e alcançou largo reconhecimento inclusive na Europa, originando o convite para estudar na Academia de Belas Artes de Veneza, Bolonha e Lisboa. Em dezembro, o cenógrafo e artista plástico volta à Itália para expor seu trabalho na Academia de Belas Artes de Bolonha e na Piazza Navona, em Roma.
Boneco Humano - Outro item inovador do espetáculo será o boneco elaborado pelo professor Aníbal Pacha, da Escola de Teatro e Dança da UFPA. O boneco é uma reprodução de um personagem do espetáculo “Humanos”, do Grupo “In Bust Teatro com Bonecos”. Segundo o professor Aníbal Pacha, trata-se de um “personagem de uma caravana de um mundo desconhecido, um lugar onde o ser humano ainda não chegou”. Ele explica, ainda, que o boneco é de manipulação direta, ou seja, os atores têm que pegá-lo para movimentá-lo. Criado originalmente em 1997, “Humanos” tem como mote a manipulação de bonecos e a intenção de falar sobre o ser humano.
O evento conta com o patrocínio da Secretaria de Estado de Turismo do Pará/Secretaria Especial de Desenvolvimento Econômico e Incentivo à Produção, da Sol, da Clínica Lobo e do Restaurante Benjamin.
Também apoiam o evento a Pró-Reitoria de Relações Internacionais/UFPA, a Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação/UFPA, o Instituto de Letras e Comunicação/UFPA, a Academia Amazônia/UFPA, o Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional/Ministério da Cultura/governo federal, o governo do Estado do Pará/Secretaria Especial de Promoção Social, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e do Sistema Integrado de Museus e Memoriais, o Município de Belém, por meio da Fundação Cultural do Município de Belém, Ná Figueredo, o Vice-Consulado de Portugal em Belém e o grupo Éter Produção Cultural (Portugal).
Serviço:Teatro musical Memorial do Convento
Concepção e direção: Vera Barbosa
Apresentações: 3 e 4 de outubro.
Hora: 19h
Local: Igreja de Santo Alexandre/Palácio Episcopal/Museu de Arte Sacra, Praça Frei Caetano Brandão - Cidade Velha, Belém, Pará, Brasil.
Evento gratuito
Informações: (91) 32017994
Texto: Editora da UFPA
Fotos: Ismael Costa

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